A quem interessa a fragmentação da representação das trabalhadoras e trabalhadores do Poder Judiciário?

A Coordenação Colegiada da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados-FENAJUD- diante da crescente criação, sem critérios claros nem representatividade consolidada, de entidades, em diferentes estados, que se apresentam como porta-vozes das trabalhadoras e dos trabalhadores do Poder Judiciário, manifesta sua posição publicamente. A Federação, que representa mais de 170 mil trabalhadoras e trabalhadores da Justiça Estadual, declara ser contra a fragmentação da categoria. Afinal, a quem interessa uma categoria dividida?

Esse movimento acende um alerta importante para toda a classe trabalhadora do Poder Judiciário: a multiplicação de organizações sem lastro efetivo junto à base contribui diretamente para o enfraquecimento da luta das trabalhadoras e dos trabalhadores, reduzindo sua capacidade de mobilização, negociação e conquista de direitos. Em vez de fortalecer a luta coletiva, essa dispersão dilui pautas, gera ruídos na comunicação, prejudica a categoria e compromete a unidade necessária em momentos decisivos. Quando entidades passam a ser criadas ou mobilizadas com finalidades alheias à defesa concreta dos trabalhadores, corre-se o risco de desvirtuar o papel da representação e comprometer a confiança da base, que passa a olhar com desconfiança para a luta ética e comprometida.

O discurso raso e superficial que por vezes norteia essas pseudo lideranças desses movimentos separatistas tende a levar a erro parte da categoria, pois fazem promessas que sabem não serem passíveis de realização e, com isso, acabam por atender interesses contrários aos anseios do conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras públicos. A luta exige ética, equilíbrio e seriedade institucional. Voluntarismo circunstancial e eleitoreiro não agrega, só divide.

Observa-se ainda, com preocupação, a utilização de determinadas iniciativas associativas como instrumentos em disputas que extrapolam o campo sindical, especialmente em períodos sensíveis como o que estamos vivendo, quando uma proposta de reforma administrativa ataca frontalmente o serviço público e os direitos de trabalhadores. Dividir para conquistar é perfeito para dividir, mas péssimo para conquistar.

A Fenajud, assim, reafirma seu compromisso com a UNIDADE da categoria, com a TRANSPARÊNCIA nas relações institucionais e com a defesa intransigente dos DIREITOS das trabalhadoras e dos trabalhadores públicos. Historicamente, os avanços da classe trabalhadora sempre estiveram associados à organização sólida, legítima e reconhecida, construída com participação democrática e compromisso com o interesse coletivo.

Defendemos que toda e qualquer entidade representativa deve se pautar pela legitimidade sindical, por critérios claros e responsabilidade, respeitando a trajetória de organização coletiva construída ao longo dos anos. Diante dos inúmeros ataques vivenciados, é hora de fortalecer espaços legítimos, valorizar o diálogo e preservar a coesão da categoria. A unidade não é apenas um princípio, é uma condição indispensável para avançar.

Coordenação Colegiada da Fenajud