Sindijus-SE: servidores do TJSE despedem-se da gestão Cezário com caminhão de mudança

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“Estou indo embora, a mala já está lá fora” ressoava nos altos falantes, quando o caminhão de mudança estacionou em frente ao Palácio da Justiça para evacuar, simbolicamente, a gestão que assumiu publicamente a possibilidade de ser “Piorzão”.

 

A paralisação dos trabalhadores dos Tribunal de Justiça de Sergipe, na última quarta, 30 de janeiro, marcou a campanha salarial iniciada no ano passado, “Que Justiça é essa que só atende aos de cima?”. Não como a última medida a ser adotada, como acontece tradicionalmente. Mas como a reprovação de um projeto autoritário aplicado pela gestão que encerra e como renovação das esperanças de que a retomada do diálogo é possível com a gestão que inicia.

Assim como em outras paralisações do Sindijus, a arte foi um instrumento de luta. Por meio da esquete teatral, a ganância que ataca os direitos da classe trabalhadora foi tratada com criatividade, sem deixar de expor quão dura é a realidade. As diferenças de tratamento entre a nobreza togada e os de baixo foram encenadas em praça pública, representando o sentimento das servidoras que participaram do movimento paredista. Além da esquete teatral, a mala que circulou nos fóruns nos últimos dias foi aberta e foram lidos alguns dos recados enviados pelos servidores indignados. Por fim, o caminhão de mudança se encarregou de levar embora a gestão de retrocessos, ao estampido de fogos de artifícios.

Para o servidor Pedro Pires, o que a Presidência do TJSE fez foi um descaso com toda a categoria. “Não sentou para discutir com a categoria, que é representada pelo sindicato, ao contrário do que fala”, criticou. “A gente sentiu muito porque a gente estava numa crescente de novos entendimentos com o próprio tribunal, e ele realmente veio quebrar. Foi muito triste mesmo perceber isso e ver que no país tivemos alguns retrocessos. Aqui também não fugiu da regra”.

O servidor aposentado, Cícero Antônio, também entende que a gestão que a gestão do TJ deveria agir de outro modo. “A minha indignação é contra a desigualdade. A gestão do tribunal sempre olhou para eles, desembargadores e juízes. Então, é uma discriminação. Discordo de muita coisa desse tribunal. Não é justo fazer isso com a gente, não”.

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As reclamações dos servidores representam o desabafo que estava engasgado contra o tratamento da gestão que agiu, meticulosamente, para atacar a organização sindical e prejudicar os trabalhadores. Microfone foi tomado da mão de representante da categoria durante reunião; conivência com juíza que constrangia trabalhadoras efetivas e terceirizadas; perseguição à dirigentes sindicais; fechamento de portas para impedir acesso dos servidores; emprego de policiais à paisana e militares armados para reprimir os servidores que lutam; e, claro, inexistência de negociação.

A concepção autoritária que orientou a gestão que se finda não era um fim em si. Resultou na interrupção da política de valorização que priorizava os cargos efetivos que vinha sendo edificada nas gestões recentes. Voltou a aumentar cargos em comissão e deletou os servidores das prioridades do FERD. Como último ato de desprezo pelos servidores, descumpriu a lei e deixou os auxílios desvalorizados. Eis a sentença final que resume o trato: 16% aos de cima e 3,5 aos de baixo.

Na avaliação da servidora Heloísa Joana, a visão do ex-presidente é arbitraria por não reconhecer a organização política dos trabalhadores. “Divergiu do comportamento de todos os outros presidentes anteriores do tribunal que, ao menos, sentavam para conversar. E ele foi essa exceção, de não reconhecer a classe trabalhadora representada pelo sindicato. Para a gente é um prejuízo e lamento por causa dessa postura,” completa.

O advogado do Sindijus, Lucas Rios, acompanhou de perto a paralisação e relacionou o que vem acontecendo no Poder Judiciário sergipano ao contexto nacional. “A gente vê com muita preocupação a inexistência de negociação e a falta de democracia no TJ, porque sabemos que essa postura local é parte um contexto maior. Os trabalhadores brasileiros vêm sofrendo uma severa perda de direitos, e os gestores, não somente do Judiciário, Executivo e Legislativo também, têm se utilizado desse discurso de crise, para canalizar recursos e beneficiar uma minoria, aprofundando as desigualdades”.

Os servidores do Ministério Público também manifestaram solidariedade, representados pela dirigente do Sindsemp, Fernanda Carvalho. “Houve um aumento de 16% pra os juízes, e os trabalhadores, que são as forças motrizes da instituição, não foram contemplados com o que merecem. Quando um servidor é respeitado em seu direito, toda a sociedade também o é”, defende Fernanda.

A direção do Sindijus, avalia que se posicionar, neste momento, é uma necessidade para além do resultado economicista. “O comportamento da gestão não condiz com o tratamento do Sindijus que tanto insistiu na negociação, com o respeito que os trabalhadores dão, com os resultados que os trabalhadores têm conseguido, duas vezes seguidas com o Selo Diamante. A vitória que a gente tem aqui ainda não é financeira, mas é a vitória política, da organização e da capacidade de lutar daqueles que não vão se curvar e que estão dispostos a voltar a negociar com o próximo presidente para retomar os avanços na pauta”, afirmou o dirigente sindical Jones Ribeiro.

Encaminhamentos

Durante a paralisação, os servidores se reuniram em Assembleia Geral e decidiram dar continuidade à campanha salarial, tendo como objetivo, neste momento de mudança na Presidência, buscar abrir a negociação que foi desastrosamente rompida nos últimos dois anos.

Para isso, a direção do Sindijus irá oficiar os desembargadores para expor a situação e pedir apoio de todos à abertura do diálogo. E, principalmente, irá buscar o novo presidente, Osório Ramos, na intensão de retomar o caminho da negociação.

 

Paralisação

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