8M: mulheres são maioria no Brasil, mas ainda enfrentam desigualdade nos espaços de poder

O Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março, é mais do que uma data no calendário: é um marco de memória, de luta e de projeção de futuro. A cada ano, a data convida à reflexão sobre as conquistas acumuladas ao longo da história, muitas delas fruto da mobilização coletiva, e, principalmente, sobre os obstáculos que ainda limitam a igualdade de gênero no país. No Brasil, as mulheres são maioria da população: representam cerca de 51,5%, o equivalente a aproximadamente 104,5 milhões de brasileiras, conforme o Relatório Socioeconômico Anual da Mulher do governo federal.

Embora, em média, apresentem altos níveis de escolaridade e assumam cada vez mais protagonismo na sociedade, as mulheres ainda não ocupam, na mesma proporção, os espaços de decisão política, institucional e econômica. Com base nesse cenário, a Fenajud (Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados) realizou um levantamento que evidencia que há avanços importantes, mas também desigualdades persistentes em áreas importantes: política; sistema de justiça; mercado de trabalho; e movimento sindical.

Política

No Congresso Nacional, a participação feminina permanece abaixo da cota legal reservada. Na Câmara dos Deputados, aproximadamente 18,1% das cadeiras são ocupadas por mulheres. No Senado Federal, o índice gira em torno de 19,8%. Nos estados e municípios, o cenário é semelhante. Assembleias legislativas e câmaras municipais ainda apresentam baixa representatividade feminina, e há municípios brasileiros sem nenhuma vereadora eleita. No Poder Executivo federal, aproximadamente um terço dos ministérios é chefiado por mulheres (cerca de 32%), indicando avanços, mas ainda distante da proporcionalidade demográfica feminina.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas eleições de 2022 cerca de 18% dos eleitos para cargos legislativos foram mulheres. Embora a legislação determine que os partidos reservem no mínimo 30% das candidaturas para mulheres, a distribuição de recursos financeiros e tempo de propaganda nem sempre ocorre de forma proporcional.

Além da desigualdade estrutural, mulheres na política enfrentam violência política, que inclui ameaças, intimidações, desinformação, ataques à reputação e violência simbólica e digital.

Sistema de Justiça

No Judiciário, as mulheres representam 36,8% da magistratura brasileira, segundo o relatório “Justiça em Números 2024” do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Apesar dos avanços promovidos nos últimos anos, as trabalhadoras da base ainda são minoria nos espaços de maior poder e decisão dentro do Judiciário, segundo dados do CNJ. Atualmente, 24.322 mulheres ocupam cargos de chefia, o que corresponde a 46% das posições de liderança. Os dados revelam crescimento na participação feminina, mas também evidencia que a igualdade plena ainda não foi alcançada nas funções estratégicas da estrutura institucional.

O CNJ publicou a Resolução nº 255/2018 instituiu a Política Nacional de Incentivo à Participação Institucional Feminina no Poder Judiciário e representou o início de uma mudança importante na busca por maior equilíbrio de gênero na estrutura do sistema de Justiça. Em 2023, a norma foi atualizada pela Resolução nº 540, que passou a estabelecer a paridade de gênero, com perspectiva interseccional de raça e etnia, nas atividades administrativas e jurisdicionais.

Os dados demonstram assim que, embora as mulheres já representem mais de um terço da magistratura, ainda são minoria nos tribunais superiores e nos cargos de presidência e direção administrativa. Mesmo onde há maior presença feminina na base, os postos de maior poder decisório continuam majoritariamente ocupados por homens. Assim, o desafio, portanto, não é apenas ampliar o ingresso, mas garantir equidade nas instâncias.

Mercado de Trabalho

As mulheres brasileiras apresentam, em média, maior nível de escolaridade que os homens, conforme dados do IBGE. Ainda assim, enfrentam menor participação no mercado formal em determinados setores e maior incidência de informalidade. A desigualdade salarial permanece como um dos principais indicadores de disparidade. Relatórios do Ministério do Trabalho e do IBGE apontam que mulheres recebem, em média, cerca de 20% a 21% menos que homens, inclusive em empresas com 100 ou mais empregados. Essa diferença persiste mesmo quando considerados escolaridade e ocupação semelhantes.

Sindicatos e Movimentos Sociais

Nos sindicatos e movimentos sociais, as mulheres exercem papel central na mobilização, organização e fortalecimento das lutas coletivas. A base sindical conta com participação expressiva feminina, e sua atuação é determinante em diversas categorias profissionais. Entretanto, a presença feminina nas presidências e diretorias executivas ainda é pequena, dos sindiatos às centrais sindicais.

Nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil, mulheres lideram iniciativas fundamentais em áreas como direitos humanos, políticas públicas, organização comunitária e enfrentamento às desigualdades. Entidades como o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) atuam diretamente na ampliação da participação política e institucional feminina.

Apesar de buscar dados, a Fenajud não identificou um painel nacional consolidado com percentual único atualizado da área. Mas pesquisas e levantamentos apontam sub-representação nos cargos máximos de decisão.

Mobilização

As ruas do Brasil serão tomadas por mulheres neste 8 de março. De acordo com o Portal Vermelho, mobilizações convocadas por movimentos sociais, políticos, sindicatos e organizações populares ocorrerão em todas as regiões do país para denunciar a violência contra as mulheres, exigir direitos e enfrentar a desigualdade estrutural que ainda marca a vida das brasileiras.

As manifestações ocorrem em um momento de alerta sobre a situação das mulheres no Brasil e no mundo. Apesar de avanços legislativos, a violência contra as mulheres permanece em níveis alarmantes.

SUDESTE
São Paulo (SP) – 14h – Masp
Campinas (SP) – 9h – Largo do Rosário
Santos (SP) – 9h – Praça das bandeiras Gonzaga
Rio de Janeiro (RJ) – 10h – Posto 3, Copacabana
Vitória (ES) – 10h30 – Parque Moscoso
Belo Horizonte (MG) – 9h30 – Praça Raul Soares

SUL
Blumenau (SC) – 8h – Concentração na Escadaria da Igreja Matriz
Chapecó (SC) – 9h – Praça Coronel Bertaso
Curitiba (PR) – 9h – Praça Santos Andrade
Balneário Camboriú (SC) – 9h – Praça Almirante Tamandaré
Florianópolis (SC) – 9h30 – Concentração no Parque da Luz (Centro)
Porto Alegre (RS) – 9h30 – Praça dos Açorianos
Garopaba (SC) – 10h – Praça Governador Ivo Silveira
Cascavel (PR) – 10h – Feira do Teatro (ação cultural)
Joinville (SC) – 14h30 – Praça da Biblioteca
Guaratuba (PR) – 14h – Letreiro da Praia Central

CENTRO-OESTE
Cuiabá (MT) – 7h45 – Espaço Cultural do CPA II
Goiânia (GO) – 9h – Praça do Trabalhador
Brasília (DF) – 13h – Concentração na Funarte

NORDESTE
Aracaju (SE) – 8h – Feira Livre do Bugio
Maceió (AL) – 8h – Praça do 7 Coqueiros
Natal (RN) – 8h – Caju da Redinha (Zona Norte)
Fortaleza (CE) – 14h – Rua Dr. José Roberto Sales, 44 (Projeto 4 Varas, Barra do Ceará)
Cariri (CE) – 8h – Concentração na Prefeitura do Crato
Salvador (BA) – 9h – Concentração no Cristo (Barra), com destino ao Farol da Barra

NORTE
Belém (PA) – 9h – Escadinha da Doca
Bragança (PA) – 16h – Praça das Bandeiras
Santarém (PA) – 17h – Praça da Matriz
Marabá (PA) – 8h – Feira da Folha 28
Palmas (TO) – 8h – Feira da Aureny I
Manaus (AM) – 15h – Marcha das Mulheres Indígenas de Manaus e entorno, na sede da Cufa
Boa Vista (RR) – 17h30 – Concentração no Portal do Milênio

9 de março
Altamira (PA) – 8h – Calçadão das Americanas
Marabá (PA) – 8h – Feira da Folha 28
Belém (PA) – 9h – Concentração na Escadinha das Docas
Bragança (PA) – 16h – Praça das Bandeiras
Santarém (PA) – 17h – Praça da Matriz

Outras datas de mobilização
09 de março (segunda)
Recife (PE) – 16h – Praça do Diário
Sobral (CE) – 8h – Praça de Cuba
Altamira (PA) – 8h – Calçadão das Americanas