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Fenajud cobra revogação da EC 95 como resposta ao combate do coronavírus

Fenajud cobra revogação da EC 95 como resposta ao combate do coronavírus

Especialistas apontam que efeitos da pandemia são de longo prazo e podem levar o país ao colapso da política de saúde e áreas sociais. Além disso, a Emenda fere o direito à saúde. Supremo deve votar suspensão nos próximos dias.

Pesquisadores de Harvard publicaram, na terça-feira (14), um estudo que aponta o possível futuro para o período após a pandemia do novo coronavírus. A pesquisa indica que, caso não sejam tomadas medidas efetivas e urgentes como a criação de novos leitos, uma vacina ou medicação que ataque diretamente o vírus, o isolamento pode ser estendido até meados de 2021, com avanço para alternativas intermitentes que durariam até 2022. O fato acendeu um alerta em toda sociedade. Por este motivo, a Fenajud (Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados) acredita que a melhor maneira de frear o coronavírus no Brasil é com a destinação de mais investimentos na área da saúde. Isso só será possível com a revogação da Emenda Constitucional 95.

A Emenda que impôs o Teto de Gastos, aprovada em 2016, limita o investimento nas áreas sociais – o que inclui a saúde e a educação – por 20 anos. A política aplicada por Michel Temer contribuiu para agravar o colapso nos dias atuais, acentuando as desigualdades no país e levando milhares de brasileiras e brasileiros à morte.

A cobrança da Federação para que o governo de Jair Bolsonaro revogue a emenda tem como base o caráter emergencial com a pandemia de Covid 19, que coloca em risco o funcionamento do Sistema Único de Saúde nos próximos dias. Sobretudo, a entidade destaca a importância de um plano de ação emergencial nacional de enfrentamento a pandemia, que beneficie todos os estados brasileiros, com ações que envolvam a saúde, a segurança alimentar, a assistência social e a educação – garantindo a alimentação para estudantes que ficaram sem a merenda escolar no período de interrupção das aulas por causa da pandemia.

Conselho Nacional de Saúde

Estudos apresentados pelo Conselho Nacional de Saúde apontam que a Emenda já tirou R$ 20 bilhões do SUS, que fazem muita falta, principalmente agora, diante de uma pandemia mundial.

O Órgão alerta ainda para a redução progressiva da chamada “renda per capita da Saúde”. Ou seja, o valor aplicado em um ano pelo Estado na Saúde da população, dividido pelo número de cidadãos.  O valor investido por pessoa, que chegou a R$ 595 em 2014, passou a ser de R$ 555, em 2020. Em vez de crescer, tem-se retirado investimentos.

Ação no STF

No final de março deste ano, entidades ligadas à defesa dos direitos humanos, da saúde, educação e soberania alimentar, protocolaram petição no Supremo Tribunal Federal (STF) com objetivo de pedir à ministra Rosa Weber que suspenda, imediatamente, a Emenda 95 de 2016.

De acordo com o STF, a ministra Rosa Weber, pediu informações ao Poder Executivo da União sobre os efeitos da Emenda diante das necessidades decorrentes da pandemia do coronavírus. Por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), a ministra pede que os Ministérios da Saúde e da Economia, a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e o Conselho Nacional de Saúde (CNS) informem o montante mínimo aplicado em ações e serviços públicos de saúde.

“Em despacho, a ministra pede informações, no prazo de 30 dias, sobre o resultado da alteração na forma de cálculo do montante mínimo de recursos a serem, obrigatoriamente, aplicados pela União em serviços de saúde e sobre a oferta de ações e serviços públicos prestados à população desde a implementação do Novo Regime Fiscal, em 2017”, aponta a Corte. O prazo termina na próxima segunda (20).

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