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Relator quer aprovar texto da reforma administrativa na comissão especial em 60 dias

Relator quer aprovar texto da reforma administrativa na comissão especial em 60 dias

Fenajud fará Plenária na próxima quarta (16) para debater o tema. Mobilizações em todo país devem continuar com objetivo de impedir a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição. Especialista avalia que medida acaba com serviço público e prejudica todos os servidores e servidoras.

Na manhã desta segunda-feira (14) o deputado federal Arthur Maia, relator da reforma administrativa na Câmara, deu uma entrevista a uma rádio nacional onde falou sobre o andamento da PEC 32/2020 na Câmara dos Deputados. De acordo com ele, no que depender da comissão especial, em cerca de 60 dias o relatório já deve estar aprovado. A Fenajud (Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados) é contra a aprovação da medida, pois, de acordo com estudos e especialistas, a PEC representa um verdadeiro retrocesso para o país. Ela prejudica a prestação de serviço público e os trabalhadores do funcionalismo público.

Maia disse durante entrevista que “Na quarta, teremos a primeira reunião e eu já levarei o plano de trabalho das audiências públicas, que podem ir de 10 a 40. Eu não pretendo fazer 40. Dependendo do número, podemos fazer duas ou três por semana para agilizar. No âmbito da comissão, dentro de 60 dias devemos ter trabalho concluído e o relatório aprovado.”

Sem comprovação técnica e estudos que possam embasar seu comentário, Arthur Maia, disse que “hoje ninguém está satisfeito com os serviços públicos prestados no Brasil”.

Ao contrário do que Maia prega, a reforma prejudica a todos e a todas. A economista Ana Georgina Dias, disse em entrevista ao Portal de Notícias da Fenajud que, “Nos últimos anos têm sido implementadas no país várias ações que redesenham o Estado brasileiro. São medidas para privatizar o Estado, reduzir investimentos, a oferta de bens públicos, de serviços públicos, mesmo os essenciais. Nesse sentido, a Proposta de Emenda Constitucional 32/2020 (PEC 32/2020) é mais uma tentativa de aprofundamento da política de austeridade fiscal e desmonte do Estado. Além disso, por trazer mudanças profundas nos vínculos de trabalho no setor público e mesmo nos direitos dos (as) servidores (as), pode ser vista com uma transposição da Reforma Trabalhista que ocorreu no setor privado em 2017 para o setor público. Não é exagero afirmar que a PEC 32/2020 flexibiliza e precariza as relações de trabalho dos trabalhadores e trabalhadoras do setor público. A consequência disso, além da perda de direitos e autonomia dos servidores e das servidoras, é inevitável piora dos serviços prestados”.

Ela aponta que “Caso a PEC 32/2020 seja aprovada como está, o serviço público como conhecemos hoje tende a desaparecer. De forma resumida, pode-se dizer que boa parte da proposta de reforma da Administração Pública contida na PEC 32/2020 consiste em retirar a primazia do concurso público como instrumento de seleção de pessoal, enfraquecer e/ou eliminar a estabilidade dos(as) servidores(as) civis estatutários(as) e reduzir os patamares salariais, além de transferir atividades públicas para a iniciativa privada e dar amplos poderes ao presidente da República para reorganizar o funcionamento do Estado de forma arbitrária e sem qualquer discussão com o Congresso Nacional e com a sociedade”.

“Isso pode ensejar maneiras de efetivação da corrupção e o fomento da arbitrariedade de agentes privados no âmbito do Estado. Logo, a proposta de reforma administrativa não se restringe aos(às) servidores(as) públicos(as), embora este seja praticamente o único aspecto tratado pela imprensa”, complementa.

Plenária Nacional

Com o intuito de debater as medidas que serão realizadas contra a aprovação da proposta na Comissão Especial e como o texto agride os servidores e as servidoras, a Fenajud fará nesta quarta (16) uma Plenária Nacional contra a Reforma Administrativa e em Defesa da vida. A atividade vai acontecer das 14h às 18h. A transmissão será realizada no canal da Fenajud no Youtube. Foram convidados especialistas, políticos e entidades sindicais.

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