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Fenajud protagoniza defesa da saúde dos servidores em Seminário Nacional do CNJ

Fenajud protagoniza defesa da saúde dos servidores em Seminário Nacional do CNJ

Federação apresentou resultado da Pesquisa de Saúde – produzida em parceria com Fenajufe, e auxiliou na construção de propostas nacionais que atenda a categoria. Evento promovido pelo Conselho Nacional de Justiça, nesta quarta (04) e quinta (05), contou com a participação de mais de 250 pessoas e oito sindicatos filiados à Fenajud.

A saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras do Poder Judiciário finalmente ganhou espaço e notoriedade junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). É que, por intermédio da Fenajud (Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados), depois de uma árdua luta em defesa da categoria, a atual situação vivenciada em todo país foi apresentada durante o 2º Seminário Nacional Sobre Saúde de Magistrados e Servidores. Essa é a primeira vez que uma entidade representativa de trabalhadores(as) participa de evento nacional no âmbito da saúde no Judiciário. A atividade, promovida pelo Órgão, aconteceu em Brasília durante esta quarta (04) e quinta (05). Oito sindicatos filiados à Federação participaram do evento: Sinjap, Sindijudiciário-ES, Serjusmig,  Sindjud-PE, Sindjustiça-RJ, Sinjuris-SP, Sinjusc e Sindijus-PR. A Fenajufe (Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e MPU) também ajudou a construir o material apresentado na sede do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Nesta edição foram discutidos os resultados e dados constantes das informações prestadas pelos Tribunais em respostas ao pedido realizado pelo Conselheiro Valtércio de Oliveira. Além disso, o evento destinou-se a obter sugestões de melhoria para a condução dos Comitês estaduais; permitir que os diversos Tribunais tenham conhecimento de ações na área da saúde, especialmente quanto à autogestão e às ações de saúde, realizadas por outros Tribunais e a produzir um ambiente de compartilhamento de melhores práticas na área da atenção à saúde dos magistrados e trabalhadores(as) que atuam no Poder Judiciário, para fins de melhoria dos trabalhos desenvolvidos em todo o Brasil.

Já no primeiro dia, a Professora Ana Magnólia, do Instituto de Psicologia, Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de Brasília – responsável pela coordenação da Pesquisa de Saúde das duas Federações – palestrou sobre “Saúde mental de magistrados e servidores do Poder Judiciário”.  De modo inédito, no evento, ela abordou os problemas que afligem os servidores e servidoras e do medo que ronda a mente dos profissionais de não serem reconhecidos como “inumanos e serem excluídos porque erraram”.

Pesquisa de Saúde

 Na manhã desta quinta (05), o coordenador de Saúde e Previdência da Fenajud, Guilherme Peres, apresentou a Pesquisa Nacional de Saúde: Sofrimento e Adoecimento no Trabalho do Judiciário e MPU. O material foi bastante discutido durante a oficina “Saúde dos Servidores” – que durou cerca de quatro horas e contou com a presença de Meg Gomes Martins de Ávila, SEGED/QVT do CNJ e do doutor Mário Oliveira. Confira aqui o Relatorio Final FENAJUD.

 O material foi produzido pela Fenajud e Fenajufe, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), contou ainda com o apoio das entidades sindicais de bases das duas federações.

Guilherme disse que o objetivo da realização da pesquisa foi “conhecer a realidade nos locais de trabalho de cada Tribunal, de diferentes estados, com o intuito de ouvir da própria categoria o que precisa ser revisto pelas direções das Unidades Judiciárias. Além disso, por meio do protocolo foi possível levantar os casos de adoecimento. A intenção é oferecer propostas de melhorias a serem feitas com vistas a encontrar as soluções necessárias para o bem estar de cada membro do Poder Judiciário”.

O coordenador destacou ainda que “essa Pesquisa sobre saúde é inédita, não há outra no âmbito do Poder Judiciário. Nem mesmo os magistrados, ou Associações contam com um material cientifico tão completo e objetivo como este, apresentado pelas Federações”.

No documento levado ao CNJ, a Federação apresentou de forma detalhada o mapeamento das situações que oferecem mais riscos no dia a dia de trabalho aos servidores. Dentre as muitas queixas de desconfortos apresentadas, destacam-se a jornada excessiva e a operacionalização dos processos eletrônicos. No quesito ambiente de trabalho, foram detectados vários níveis de insatisfação, dentre os quais o número insuficiente de servidores, estabelecimento de prazos incompatíveis com a realidade dos tribunais e de metas inatingíveis, além da sobrecarga de trabalho.

Outro grande motivo de queixas foi o modelo de gestão adotado: individualista, dentro da lógica de mercado, na tentativa equivocada de adequar o modelo das empresas ao serviço público. Foram também relatados a insatisfação diante da sensação de cansaço e a falta de valorização e de reconhecimento pelo trabalho realizado. As más condições de trabalho, precariedade do funcionamento do PJe, teletrabalho como carga maior de trabalho e menos contato com os colegas – e o assédio moral também foram lembrados.

O protocolo foi aplicado em parceria com o GEPSAT (Grupo de Estudos e Práticas em Clínicas, Saúde e Trabalho) e a coordenação acadêmica do LPCT (Laboratório de Psicodinâmica e Clínica do Trabalho) da Universidade de Brasília.A pesquisa, realizada em 2018, investiga os indicadores da organização do trabalho, modelos de gestão, sofrimento e danos físicos, psicológicos e sociais que se encontram na gênese do adoecimento pelo trabalho. Para tal, utilizou delineamento quantitativo e qualitativo, tendo sido aplicado o PROART (Protocolo de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho) e entrevistas clínicas individuais. Esses instrumentos foram analisados por meio de técnicas estatísticas inferenciais e da análise de conteúdo.

Debates

Os sindicatos presentes no evento se dividiram nas oficinas, para que houvesse maior captação de conteúdo. A conferência de abertura teve como tema “Assédio Moral no Poder Judiciário”. O assunto foi discorrido pelo ministro Cláudio Brandão, do TST. Logo depois foi a vez do médico Weldison Muniz discorrer sobre “Novas Tecnologias e Saúde.

Já nesta quinta (05) a saúde dos Magistrados foi discutida na oficina destinada para tal. Os moderadores foram: Flávia Moreira Guimarães Pessoa, Juíza do Trabalho e Juíza Auxiliar da Presidência do CNJ; e Luiz Antônio Colussi, Juiz do TRT 4 e Vice-Presidente da ANAMATRA. Os serviços de Saúde e Exame periódico de saúde também foram discutidos no evento.

Encaminhamentos

 Os encaminhamentos sugeridos pelos servidores foram levado à Plenária final. Os temas foram divididos em quatro tópicos: assédio moral; comitê gestor de saúde; gestão de pessoas e qualificação.

No primeiro deles, os trabalhadores sugeriram um novo modelo de intervenção para além das cartilhas; prevenção do assédio moral; preservação da vítima; espaços de fala.

No segundo tópico incluíram: implementação do Comitê Gestor de Saúde; efetividade; Comissões mais paritárias – democratização; independência do Comitê de Gestão de Pessoas; Lócus organizacional; periodicidade de reuniões; especialidade do segmento eleitoral e que os comitês possam ser mais propositivos e multidisciplinares.

No terceiro tópico a categoria solicitou: mais profissionais de saúde; equipes multidisciplinares; melhores práticas de gestão de pessoas e liberdade para movimentação e reconhecimento; teletrabalho – atenção para evitar isolamento ; olhar especial para os oficiais de justiça.

No último tópico, que tratou sobre a qualificação, os participantes incluíram também: formação continuada; ao menos uma ou duas pessoas do Comitê com conhecimento em saúde e assédio moral; cursos que reúnam servidores e magistrados; maior preparo dos magistrados para serem gestores de pessoas.

Histórico

Os debates sobre a saúde dos servidores e servidoras teve início em meados de 2018. De lá para cá a Fenajud se encontrou diversas vezes com a Fenajufe para organizar a aplicação do protocolo, bem como a atuação junto aos Órgãos competentes. Em maio deste ano a Federação entregou um ofício no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) onde requereu a participação da entidade no próximo encontro de Comitê Gestor Nacional de Atenção Integral à Saúde de Magistrados e Servidores do Poder Judiciário.

1ª Edição 

No dia 28 de março de 2019, o CNJ realizou o 1º Seminário sobre Saúde de Magistrados e Servidores do Poder Judiciário. Na oportunidade, foram debatidos temas como o financiamento dos serviços de saúde, assim como o adoecimento e a qualidade de vida dos juízes e servidores do Poder Judiciário brasileiro.

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