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Fenajud denuncia precarização alarmante das equipes técnicas dos Tribunais de Justiça em audiência pública na Câmara

Fenajud denuncia precarização alarmante das equipes técnicas dos Tribunais de Justiça em audiência pública na Câmara

A Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (Fenajud) participou da audiência pública promovida pela deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP), realizada por meio da Comissão de Administração e Serviço Público (CASP) da Câmara dos Deputados. O evento, ocorrido nesta quinta-feira, 28 de novembro, reuniu especialistas, servidores da base, representantes de entidades filiadas à Fenajud e à outros segmentos, bem como parlamentares, para debater a alarmante precarização das equipes técnicas dos Tribunais de Justiça estaduais.

A Fenajud foi representada na mesa de debate pela coordenadora de Gênero, Etnia e Geracional, Ana Carolina Martins Lôbo, e contou também com a participação do coordenador de Assuntos Parlamentares da entidade, Luiz Cláudio. A audiência, fruto de articulação da Fenajud e da AASPSI Brasil, destacou a importância da valorização dos profissionais das equipes técnicas que atuam diretamente na garantia de direitos fundamentais.

Durante sua intervenção, Ana Carolina Lôbo pontuou a importância histórica e atual do trabalho das equipes técnicas no Poder Judiciário, que englobam assistentes sociais, psicólogos e pedagogos. “Gostaria de agradecer à deputada Luciene Cavalcante por essa oportunidade de debater um trabalho de tamanha relevância. É importante destacar a maioria feminina aqui presente, que reflete a predominância de mulheres nas equipes técnicas em todo o país”, afirmou.

A coordenadora lembrou que o papel dessas equipes é essencial para subsidiar as decisões judiciais, especialmente nas áreas de infância e juventude, família, medidas socioeducativas e medidas protetivas. Ela destacou que, embora esses profissionais estejam previstos nos quadros de 18 estados, enfrentam condições cada vez mais precarizadas.

Ana Carolina ressaltou a diminuição de contratações e capacitações nos últimos anos, mencionando sua experiência em Pernambuco: “Houve um momento de muitas nomeações, capacitações e encontros. Hoje, vemos esse trabalho cada vez mais precarizado, com desafios antigos, como a ausência de transporte adequado para visitas domiciliares, especialmente em regiões mais remotas, como o Pará, onde profissionais enfrentam trajetos de dias em barcos sem receber gratificação de risco de vida.”

Assista a fala da coordenadora, a partir de 1:19:00

Luiz Claudio, aponta que “A necessidade de uma regulamentação destas carreiras é urgente. Em todas as falas notamos a retirada ou falta de direitos dos servidores públicos em todas as suas esferas. Não podemos compactuar que profissionais tão necessários e importantes não tenham uma regulamentação em suas carreiras. A importância desta audiência foi a de escancarar a situação precária destes técnicos e tirar encaminhamentos para que outros órgãos, como Ministério da Justiça, Ministério dos Direitos Humanos, o Executivo e a própria Câmara dos Deputados possam intervir e corrigir as distorções existentes. Não podemos aceitar, enquanto instituição e servidores, o ataque a quaisquer um de nós, seja a nível federal, estadual ou municipal. Os servidores públicos são constantemente citados com um problema para o orçamento e prejudicial à sociedade. A quem interessa isso? Precisamos mudar a postura, mostrar à população a importância do serviço público e como a falta deste impactaria muito fortemente e prejudicialmente, sobretudo às pessoas mais carentes e dependentes destes serviços.”

A audiência contou com a participação de diversas autoridades e especialistas, entre eles: Fábio Mariano da Silva, diretor do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania; Maíla Rezende Vilela Luiz, presidente da AASPSI Brasil; Fernanda Copelli Vilas Boas de Almeida, psicóloga judiciária e secretária-geral da AASPSI Brasil.; Rayssa Cavalcante Matos, representante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) e José Gozze, presidente da Pública Central do Servidor.

Os debates enfatizaram o papel fundamental dessas equipes na garantia de direitos, a urgência em combater a precarização e a necessidade de políticas públicas que assegurem melhores condições de trabalho.

A audiência pública reforçou o compromisso da Fenajud e das entidades presentes na luta pela valorização dos trabalhadores do Judiciário. A Fenajud continuará atuando junto aos poderes Legislativo e Executivo para garantir avanços concretos para os trabalhadores e trabalhadoras do Judiciário nos estados.

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