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Após quatro anos de espera, julgamento de juiz acusado de assédio moral será retomado amanhã no Tribunal de Justiça do Pará

Após quatro anos de espera, julgamento de juiz acusado de assédio moral será retomado amanhã no Tribunal de Justiça do Pará

O Pleno do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) retoma nesta quarta-feira (8) o julgamento do juiz Juliano Dantas, acusado de assédio moral contra servidores e servidoras da comarca de Ourilândia do Norte. O processo, que tramita desde 2021, havia sido suspenso em setembro, após pedido de vistas do desembargador Constantino Guerreiro, decisão que frustrou centenas de trabalhadoras e trabalhadores que acompanhavam a sessão.

A retomada ocorre após mais de quatro anos de espera e reacende uma questão sensível no sistema judicial brasileiro: por que casos de assédio praticados dentro do próprio Judiciário demoram tanto para serem julgados — e raramente resultam em punição efetiva?

Segundo o relatório da relatora do processo, desembargadora Rosi Farias, o magistrado é acusado de práticas reiteradas de assédio moral, incluindo humilhações públicas, ameaças de prisão a servidores e mensagens de intimidação enviadas por aplicativos. O caso permaneceu sob sigilo até recentemente, quando o processo foi aberto, permitindo que viesse a público.

A Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (Fenajud) e o Sindicato dos Servidores do Judiciário do Pará (SINDJU Pará) acompanham o caso e defendem celeridade e transparência nos julgamentos que envolvem magistrados acusados de conduta abusiva, além da criação de políticas institucionais de prevenção e acolhimento às vítimas.

“A morosidade nesses casos corrói a confiança dos servidores e da sociedade no sistema de Justiça. Quando o agressor é protegido pela estrutura e a vítima é silenciada, o Judiciário perde sua legitimidade”, afirma o coordenador-geral da Fenajud, Alexandre Santos.

A expectativa é de que o julgamento de amanhã avance para a votação dos demais desembargadores e finalmente aponte um desfecho para um caso que se tornou símbolo da luta contra o assédio no serviço público.

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