A Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (Fenajud), nesta quarta-feira (26), com a ministra Cármen Lúcia para apresentar a realidade vivenciada pelas trabalhadoras e trabalhadores do Poder Judiciário brasileiro, especialmente da Justiça estadual, e levar as principais reivindicações da categoria. Durante o encontro, a entidade também reiterou o convite para que a ministra participe do III Encontro de Mulheres Dirigentes Sindicais, previsto para 2027. A Entidade foi representada pela coordenadora de Gênero, Etnia e Geracional, Ana Carolina Lobo.
No encontro, a dirigente destacou que, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), as mulheres representam cerca de 60% do quadro do Judiciário brasileiro. Além das desigualdades e dos desafios enfrentados no ambiente profissional, as trabalhadoras convivem com múltiplas jornadas e, nos últimos anos, passaram a lidar com profundas transformações no mundo do trabalho, como a virtualização dos processos, a multiplicação de sistemas, o avanço da inteligência artificial e a crescente política de metas.
Além disso, foi levantado a cobrança excessiva por produtividade e a lógica de metas não podem se sobrepor à qualidade do serviço prestado à população e às condições de trabalho das trabalhadoras e trabalhadores. Em áreas sensíveis, como Infância e Juventude, Família e Violência Doméstica, muitas demandas exigem escuta, atenção e atendimento humanizado.
Ana Carolina Lobo destaca que “A Fenajud entende que o Poder Judiciário está vivendo um momento de grandes transformações desde a pandemia. A virtualização dos processos e a política de metas trouxeram mais celeridade por um lado, mas por outro desumanizaram um Poder que já era hierárquico e distante da população e de se deus próprios trabalhadores e trabalhadoras. A coordenação de Gênero, Etnia e Geracional foi tratar dessas pautas do ponto de vista das mulheres, mas as demandas das mulheres são universais, pois quando falamos de um judiciário célere, porém humano e justo, que trate sua classe trabalhadora como gente e não como meros números, que não estabeleça políticas que adoeçam suas trabalhadoras e trabalhadores, que não utilize modalidades de trabalho como forma de coação, como é o caso do teletrabalho em muitas situações, estamos falando de todas as pessoas. O histórico da Ministra Cármen mostra que ela defende as causas das mulheres e defende que o Judiciário seja mais humano, então buscamos essa interlocução com ela para que possamos dialogar a respeito dos direitos de quem faz o Judiciário acontecer. “
Outro ponto apresentado à ministra foi a necessidade de aprofundar o debate sobre o aumento de metas, jornadas ampliadas, pressão permanente e transferência para as trabalhadoras e os trabalhadores dos custos com equipamentos e instrumentos necessários ao trabalho. A entidade também chamou atenção para o adoecimento crescente da categoria, relacionado, entre outros fatores, ao atual modelo de gestão por metas.
Por fim, a Fenajud reforçou a necessidade de que o CNJ considere as especificidades da Justiça estadual, marcada por diferentes realidades, estruturas e volumes de demandas nos estados brasileiros. Entre as reivindicações apresentadas estão o recebimento da Federação pela Presidência do CNJ para a escuta das demandas da categoria, a criação de um grupo de trabalho específico para debater a realidade da Justiça estadual e a rediscussão das regras do teletrabalho. Ao final do encontro, a entidade reiterou o convite à ministra Cármen Lúcia para participar do III Encontro de Mulheres Dirigentes Sindicais, reafirmando a importância do diálogo para a construção de um Poder Judiciário mais humano, democrático e atento às pessoas que fazem a Justiça acontecer todos os dias.