Especialistas apontam riscos em movimento antivacina

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Duas entidades representativas da área de saúde apontam que a falta injustificada de vacinações pode causar o aumento da mortalidade de crianças, de adolescentes e da população adulta. Fenajud alerta população para o problema nos estados. 

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) fizeram um alerta a população sobre o movimento antivacina. O grupo tem ganhado adeptos no Brasil e surgiu nos países mais desenvolvidos. Especialistas das duas entidades apontam que a falta injustificada de vacinações pode causar o aumento da morbidade e da mortalidade de crianças, de adolescentes e da população adulta. Diante disso, a Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (Fenajud), exercendo seu papel social, alerta a população para o problema, considerado um retrocesso em termos de saúde pública pelas autoridades.

As duas entidades emitiram um documento, no último mês, direcionado aos pais e responsáveis sobre a importância de levarem crianças e adolescentes aos postos de saúde para receberem as doses constantes no calendário vacinal. “Não se vacinar ou impedir que as crianças e os adolescentes o façam pode causar enormes problemas para a saúde pública, como o surgimento de doenças graves ou o retorno de agravos de forma epidêmica, como a poliomielite, o sarampo, a rubéola, entre outros”, cita o documento.

Mesmo sem uma frente estabelecida de grupos que defendam essa corrente no Brasil, médicos e pesquisadores se preocupam, uma vez que houve baixa na cobertura de vacinação nacional.  “Quando uma parte da população deixa de ser vacinada, criam-se grupos de pessoas suscetíveis, que possibilitam a circulação de agentes infecciosos. Quando eles trafegam e se multiplicam por aí, não afetam apenas aqueles que escolheram deixar de se vacinar, mas também aqueles que não podem ser imunizados, seja porque ainda não têm idade suficiente para entrar no calendário nacional, seja porque sofrem de algum comprometimento imunológico”, alerta Manoel Gustavo, pediatra.

As associações observam que os relatos de que vacinas trazem elementos tóxicos ou nocivos em sua composição, que são ineficazes e que podem ser substituídas por outros métodos não possuem base técnica ou científica.

Histórico 

Em 2016, a meta de vacinação contra poliomielite (a paralisia infantil) não foi cumprida no Brasil. Foram imunizamos 86% da população, ante os 95% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Foi a pior taxa de vacinação dos últimos 12 anos. A pólio é considerada erradicada do Brasil desde 1990.

Graças à cobertura vacinal, iniciada na década de 1970, a varíola foi eliminada no país em 1973; a poliomielite, em 1989; e a transmissão autócnote de sarampo, em 2001.  Segundo o Ministério da Saúde, o surto recente de febre amarela tem como uma de suas causas a baixa cobertura vacinal na região onde ocorreram as primeiras mortes, em Minas Gerais. Em 47% dos municípios com recomendação para a vacinação, a cobertura da vacina contra febre amarela era menor do que 50%.

Dificilmente a vacinação chega a 100% da população. Mas, quanto maior for o contingente vacinado, maior a proteção conferida inclusive aos não vacinados.

Dados oficiais 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a vacinação em massa evita entre 2 milhões a 3 milhões de mortes por ano e é responsável pela erradicação de várias doenças. A OMS argumenta ainda que com vacinação também se reduziu a mortalidade por sarampo em 74%.

No Brasil, estão disponibilizados na rede pública 26 tipos de vacinas para crianças e adultos.

 

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